![]() |
| Beata Ana Maria Taigi |
A Beata Anna Taigi (1769-1837) foi uma alma a quem Deus revelou a luta entre a Revolução e a Contra-Revolução, da qual a fez participar através de um especial devotamento ao Papado.
Em 29 de maio de 1769, na poética Siena, num lar popular rico de tradições cristãs, veio ao mundo uma menina sobre a qual pesariam os destinos da Igreja.
Ao invés da tranquilidade e das consolações decorrentes de uma vida ordeira e laboriosa, ela teve em troca cruzes de extraordinário valor sobrenatural.
O infortúnio financeiro levou seus pais a se mudarem para Roma em busca de melhor sorte. Mas eles logo morreram, deixando Ana Maria órfã numa cidade “estrangeira”, pois Roma e Siena pertenciam na época a países diferentes.
Sem saber ler nem escrever, a jovem foi trabalhar no palácio da nobre família Maccarani, onde conheceu seu futuro marido, Domenico Taigi, pajem no palácio dos príncipes Chigi, na cêntrica Piazza Colonna – hoje sede do primeiro ministro da Itália.
Domenico era trabalhador e sério, mas deu-lhe muita ocasião para praticar a paciência. Tiveram sete filhos, três dos quais morreram em sua primeira infância.
Ana Maria Gesualda Giannetti de Taigi (29/05/1769 – 09/06/1837) foi uma excelente dona de casa, dedicada a todos, apesar de seus exíguos recursos.
Muito piedosa, ingressou na Ordem Terceira da Ordem da Santíssima Trindade – os trinitários – com sede na igreja de San Carlo alle Quattro Fontane.
O sol misterioso
Desde a sua adolescência, Ana Maria foi aquinhoada por Deus com um favor único: o de ter sempre presente diante de seu olho esquerdo um sol, qualificado de “místico”, mas muito voltado para as realidades temporais.
O Pe. Bouffier S.J. nos fala desse sol misterioso onde Deus quis lhe mostrar “os fios secretos dos movimentos do mundo”:
“Era uma maravilha ouvir uma boca tão apagada narrar com serena candura as agitações das sociedades, as convulsões dos povos, a derrubada das dinastias, e até nesses grandes acontecimentos da História, os detalhes íntimos e escondidos dos corações que só o olhar de Deus pode penetrar. (...)
“Sob essa luz ela via o estado das consciências, a situação das diversas nações da terra, as revoluções, as guerras, os planos dos governos, as maquinações das sociedades secretas, as armadilhas montadas pelos demônios, os crimes, os pecados, as superstições dos idólatras, os flagelos que Deus havia preparado para punir as prevaricações humanas”.
![]() | |||
| O livro do Pe. Bouffier SJ. |
O sol lhe apareceu pela primeira vez por volta de 1790, quando ela se flagelava em seu pequeno oratório doméstico.
E nunca se afastou de sua vista, acompanhando-a por toda parte, dia e noite, até a sua morte, acontecida 47 anos depois.
Quando viu esse sol pela primeira vez, Ana Maria foi tomada de temor. Consultou então seu confessor, que lhe ordenou pedir uma explicação a Deus. Assim o fez, tendo recebido esta resposta:
“Este é um espelho que Eu te mostro, para que conheças o bem e o mal que é praticado”.
O confessor lhe preceituou então que pedisse a Deus para retirar esse dom, concedendo-o às virgens dos claustros. Ela obedeceu, mas Deus lhe respondeu que Ele era livre para fazer o que bem entendesse, e que o confessor deveria tão-só cumprir bem o seu dever, e nada mais.
Inicialmente o sol místico apareceu com a cor do fogo, mas com os anos ficou cada vez mais brilhante, tendo a Beata comparado-o a sete sois simultâneos. O tamanho era do sol natural acrescido de raios.
Ele ficava a uma distancia de doze palmos de seu olho e a três palmos acima de sua cabeça, conservando sempre essa posição – esclarece o Pe. Bouffier S.J. (op. cit., p. 199).
Fato singular, com um olho doente e quase cego ela via esse sol, o qual alimentava seu dom de profecia e presciência, atraindo grandes dignitários eclesiásticos e civis de Roma, que acudiam à sua pequena casa para pedir orações e fazer consultas.
![]() |
| Beata Ana Maria Taigi, túmulo em São Crisogono, Roma. Foto de Claudio De Lucchi |




0 Comentários